Saúde Mental em tempos de crise

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Ao longo destes anos de trabalho em consultório e clinicas de internação, diante de pessoas com as mais diversas características de personalidade e situações de vida, fico refletindo o que de fato é importante para mantermos nossa saúde mental e emocional?

Fazendo uma reflexão muito mais filosófica que biológica, acredito que a capacidade de autonomia e flexibilidade são duas respostas importantes para esta pergunta.

A autonomia é algo que todo ser humano deve conquistar, e o desenvolvimento desde a mais tenra idade consiste em criar mecanismos motores, cognitivos e afetivos para a conquista desta.

É importante não confundir autonomia com individualismo, pois a capacidade de socializar-se e interagir com os pares é muito importante na saúde emocional do ser humano. A autonomia neste caso, é criar condições adaptativas para não depender de seus pares, em diversos aspectos: emocionalmente, economicamente, socialmente, etc.

Exemplificando, uma pessoa pode ter um diagnóstico psiquiátrico grave, ou transtorno mental crônico, mas se desenvolveu condições adaptativas e é capaz de ter o mínimo de autonomia mesmo diante das próprias limitações, será alguém feliz e saudável emocionalmente.

A flexibilidade diante de mudanças muitas vezes difíceis e inesperadas envolve a capacidade para refletir e não se desesperar diante de situações adversas, e desenvolver novos hábitos e habilidades que muitas vezes a própria pessoa não pensava ser capaz.

Diante da situação política e econômica no nosso pais, percebo uma atmosfera de insegurança importante em nosso meio. Algumas pessoas não foram diretamente afetadas pela “crise”, mas o acesso a informações de violência, corrupção, e injustiças diversas (situações que muitas vezes geram mudanças necessárias que fazem parte da história das civilizações), desencadeiam emoções que podem levar a um transtorno depressivo ou ansioso com prejuízos importantes.

Outras pessoas tem a vida afetada diretamente por situações adversas a sua vontade, como perda de emprego, doença, separações, lutos, mudanças de cidade, vivencia de violência em casa, vizinhança, escola ou trabalho, com prejuízos importantes no funcionamento pessoal, além da perda da autoconfiança.

Muitas vezes as pessoas parecem estar em um labirinto, em uma situação sem saída, mas a capacidade de refletir e manter a calma nestas situações, bem como o desenvolvimento de novos hábitos e competências pessoais, pode ser a chave para mantermos a saúde emocional necessária para as decisões e ações resolutivas.

A vida é feita de mudanças constantes e cabe a nós a capacidade de adaptar-nos a elas. Muitas vezes sozinhos não conseguimos desenvolver estas capacidades e habilidades importantes diante da dinâmica da vida, então é importante também procurar ajuda, seja de amigos, profissionais, ou outras pessoas que podem atuar como catalizadores para ajudar no desenvolvimento destas capacidades.

Como dizem os navegantes: Parou de ventar? Comece a remar! E se estiver difícil remar sozinho, peça ajuda…

Gianna Guiotti Testa
Medica Psiquiatra (responsável técnica da Clínica OPY)
CRM DF- 15231

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