Meninas, mulheres e transtorno alimentar!

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É incrível como culturalmente nós mulheres (desde que fomos meninas) sempre estamos preocupadas com a questão do peso e da estética. Em meu consultório vejo meninas de 7, 10 anos, já preocupada com o peso e aparência física, em uma idade que precisam crescer e ganhar peso naturalmente.


Esta questão social e cultural impera na nossa sociedade, que tende a associar biótipos excessivamente magros e atléticos à beleza, riqueza, sucesso, competência e satisfação emocional.


Esta crença cultural está presente em comentários familiares e sociais que podem servir como gatilhos para o desenvolvimento de transtornos alimentares.

Uma mãe, tia, avó, amiga da escola, namorado, que faz um comentário as vezes sutil à aparência de uma menina pode desencadear um transtorno mental grave e de complexa resolução.


A grande maioria das meninas e mulheres apresentam uma preocupação exagerada com estética, isso porque a auto estima feminina em grande parte é construída na aparência física, porem uma parcela pequena (prevalência de até 5 % da população feminina), vai desenvolver um transtorno alimentar.


Além do fator cultural, aspectos genéticos (histórico familiar), além de algumas características de temperamento (perfeccionismo, rigidez, baixa autoestima, instabilidade emocional, impulsividade) são fatores etiológicos.


Esclarecendo, estes transtornos são muito mais do que a preocupação comum feminina com aparência e o peso, são doenças complexas que interferem em como a pessoa se relaciona com a aparência ou peso e com o padrão alimentar.


Os transtornos alimentares mais comuns são Anorexia e Bulimia nervosa. A Anorexia é uma recusa da pessoa em manter o peso corporal mínimo para sua idade, altura e gênero. Seja através de dietas, atividades físicas excessivas, uso de medicamentos e vômitos. A Bulimia é semelhante, porem com episódios de compulsão alimentar associados.


Atenção: Outros transtornos mentais, tais como ansiedade, depressão, interferem no padrão alimentar. Então nem sempre quando o paciente tem alteração no habito alimentar (inapetência ou compulsão), existe um transtorno alimentar.


Estes transtornos têm origem em idade precoce, sendo a maior prevalência de 13 a 17 anos, e em muitos casos, quando não há um desfecho grave e trágico, pode haver recorrências na idade adulta.


O tratamento dos transtornos alimentares é feito em equipe, com abordagem do médico psiquiatra, nutricionista, terapia individual e familiar. A mudança na dinâmica familiar e a colaboração da família é fundamental! O tratamento precoce é fundamental, porque a desnutrição e dietas radicais é uma potencial causa da perpetuação do transtorno.


É papel de nós todos, enquanto sociedade rever os valores e conceitos em cima das meninas e das próximas gerações. Enaltecer as qualidades e potenciais muito além da aparência física e da cultura da “mulher objeto”.

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