Cannabis Medicinal não é maconha

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Cannabis medicinal não é maconha

O contato cada vez maior com a literatura, cursos e estudos já realizado com as substâncias derivadas da Cannabis trazem curiosidades e questionamentos.
De fato, o chamado sistema endocannabinoide está presente em quase todos os tecidos do corpo humano, podendo atingir diversas ações terapêuticas e com estudos promissores.
Não é à toa que a procura pelos derivados da Cannabis vem crescendo, e as pesquisas cientificas na área também.
O primeiro tratado sobre Cannabis Medicinal deve ser lançado em breve no Brasil, e a Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis(SBEC), na qual faço parte, tem diversos grupos de trocas clinicas e cursos de atualização.
Mas tenho percebido a necessidade de ter cautela quando o assunto é Cannabis Medicinal.
Antes de tudo, diferenciar o uso medicinal do uso recreativo é crucial. O uso da maconha recreativa tem estudos evidentes na etiologia e piora dos sintomas de Esquizofrenia em pessoas geneticamente predispostas.
Sempre deixei claro que sou contra o uso recreativo principalmente na adolescência, que pode piorar muito o desenvolvimento cognitivo cerebral, e sintomas depressivos.
Ao longo da minha carreira como psiquiatra já presenciei muitos problemas com o uso recreativo da maconha, e a dificuldade de pacientes e familiares lidarem com o uso abusivo e prejudicial, e os diversos danos físicos, psíquicos e sociais decorrentes.
Além disso, é preciso ter responsabilidade na indicação terapêutica, trabalhar somente com óleos certificados, com garantia de pureza e a concentração de cada princípio ativo. As formulações artesanais sem a concentração determinada de cada componente, podem até mesmo agravar os sintomas e quadro clinico.
A planta tem diversos componentes e estudar a substância nos mostra a complexidade da indicação e manejo.
Para cada tipo de patologia, devemos indicar uma concentração ideal de CBD, THC, CBG, terpenos e outros compostos ainda não estudados da planta.
Para uma determinada patologia, usar CBD associado com THC pode ser importante no tratamento, mas em outras doenças o uso do THC é completamente contra-indicado.
Tais peculiaridades mostram que é difícil indicar óleos artesanais.
Minha pratica clínica e os estudos mostram resultados promissores e animadores, mas procuro sempre alertar os pacientes da importância da seriedade do uso da substancia.
Como qualquer fármaco psicotrópico, o uso responsável e criterioso é crucial para respostas clinicas adequadas e evitar complicações indesejáveis.

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